Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
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Out 11
publicado por A.Bruto, às 11:09link do post | comentar

Numa sala fechada, em que todo o mundo vê o que eu vejo,

o ridículo que se torna respirar

e viver entre golfadas de ar

é cada mais óbvio.

As pessoas passam à minha volta,

e gostam de me atirar amendoins metafóricos,

afinal, sou o animal favorito que todos odeiam,

preso, em observação demente.

Respondo como deve ser,

espalhando fezes pelas paredes

do quarto.

Frequentemente, é só o que querem ter

para os preencher.

Ocasionalmente, uma cabriola

de uma vida passada

que os faz rir enquanto apodreço. 

Mas o meu vazio, o vácuo, o

grande buraco no peito, eterno,

torna-se assim mais difícil de preencher,

por essa peça, única,

orgão vital que foi perdido entre brincadeiras

de olhos fechados e cabeça entorpecida.

Este invólucro de ar, gás, fezes

e desdém pede esse mesmo ar, só esse,

que me comprime há demasiado tempo

pela sua ausência, sorvendo vida

entre inspirações e expirações.

Mas tudo isto se passa dentro.

Quem me vê

tenta perceber, entre o suor das virilhas

que lhes dou a cheirar,

como continuo a querer viver.

Tento que percebam, animal que sou,

com bostas de pontaria certeira,

o que é primário.

Nego-me, assim, a rasgar o peito em dois.


Eu gosto muito do que escreves por estes lados. Sublinho o muito. Não tenho é jeito para comentários, o que me faz sentir comprimida, tal e qual uma fez em dia não.
cristina a 5 de Fevereiro de 2012 às 23:50

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