Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
28
Mai 09
publicado por A.Bruto, às 01:15link do post | comentar

Entre os dias amorfos e os solarengos desejos

O negrume solitário e a efusiva alegria

De eternas ocasionais companhias

Respirei fundo e enrolei mais um cigarro

Às árvores da praça, tortas e verdejantes

desejei-lhes uma boa vida

enquanto um cão vadio as reclamava como suas

 

Matei a sede e inspirei o fumo do cigarro

Pedi a conta e não paguei

Levei-me a casa da esplanada do café

a ausência do vento castigava-me os olhos

Enquanto pensava no dia seguinte,

sem ter saido sequer de anteontem.

 

Entre as virtudes e os desejos

E as urgências sussurradas ao ouvido

Respirei fundo e enrolei outro cigarro

O cão vadio, agora alegre proprietário

de depósitos inertes de ácido úrico

Intimidou-me com o seu olhar triste

Afinal, o meu mundo era dele

E só nós o sabíamos

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