Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
03
Mar 10
publicado por A.Bruto, às 17:54link do post | comentar

O preço de ter ofertado demasiado tempo, mais que o necessário, mais do que o saudável foi esta vontade, surgida da necessidade de o utilizar egoísticamente. Tal como a minha dor, que é só minha e que ninguém compreende. E fodam-se quem vem com aquelas palavras comezinhas, de  peninhas e compaixõezinhas, com os olhares vazios de sentimento, pregando o sermão repetido pela cultura popular, dizendo-me que já era a altura de a deixar ir, que já estava no seu tempo. O seu tempo era o MEU tempo! e se o tempo dela chegou, também o meu teria chegado. Deveria ter chegado e não chegou. Devia a alma, a mente, o centro coordenador de emoções, o id, o ego, o que lhe queiram chamar, devia ser programado a desligar essa formatação quando alguém morre. Se morreu, todas as minhas memórias dela e com ela deveriam morrer, também, com ela. Formatação de disco, apagar a pasta, reciclagem esvaziada. E todo um tempo vazio à frente, à espera de ser preenchido com outra pessoa. ou comigo, ou com ninguém. ou com colecções de rótulos e caricas, de saltos-livres e pesca artesanal, de passeios pelo jardim e jogos de sueca ou qualquer outra idiotice sugerida por esta gente de olhos vazios, que não sabem que a transporto comigo, até ao fim do meu tempo, sem nunca a passar para ninguém.


"(..)que a transporto comigo, até ao fim do meu tempo, sem nunca a passar para ninguém." Porque não quero que ninguém saiba do seu cheiro, do seu toque, do seu gosto que eram só meus e que não quero esquecer nem lembrar que já não os tenho..
Anónimo a 3 de Março de 2010 às 20:31

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