e à meia-noite, o relógio de parede, velho como tempo do tasco, soava. Institivamente, levantava-se e pegava na guitarra. "Não era a hora", era quando lhe apetecia. Apetecia-lhe todos os dias e àquela hora. E as mesas com estudantes bifas a comer caldo verde e os bêbados que faziam a procissão das capelinhas e acabavam sempre ali, refúgio do pecador, agarrados, putas e chulos despertavam da sua efusiva apatia, daquela inebriante e falsa alegria e voltava-os para onde vinha aquele.gemer bonito e triste que os empurrava sem que eles se apercebessem, como tísicos, de pernas esticadas para a frente, calcanhares enterrados no chão, olhos fechados, a sorrir como estúpidas crianças, como só as crianças podem ser. E estupidamente sorriam e levavam-se pelo chorar da guitarra em direcção ao abismo.
Quando terminou, todos se tinham esquecido da sua mão de sueca, das minis suspensas a caminho da boca seca. Todos no tasco se apercebiam que tinham vivido um momento que não se iria repetir, mesmo que ele lá estivesse no dia seguinte, à meia noite,