Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
25
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 01:28link do post | comentar

Trauteei aquela repetição e dei-me ao luxo de lhe juntar umas côres, das minhas. só o fiz porque ninguém me estava a ouvir. Toda a gente que conheço pensa que me conhece mas, na verdade, ignoram que eu pinto músicas. Sobretudo as que não estou a ouvir, pelos menos, que não estão, naquela altura, a ser ouvidas por mim. Os sons mântricos, internos, infernos, aqui dentro da minha cabeça,  começam como começou o mundo dos outros. E à palavra, juntam-se os coros infernais, as tubas deformadas, as cordas estouradas. e a forma, no pensamento disforme, é esclarecida com a luz dos metais e com o cheiro das madeiras. ribombam os tambores com o metrónomo cardíaco e está lançado um novo mundo. que vai voltar à palavra, agora com outra côr, com outro feitio e com o tempo que, entretanto, já foi repetido. com outras côres, mas repetido. com outra frase, mas repetida. No fim, tudo é diferente. Quando, passado uns dias, umas horas, uns segundos, quando, depois de a teres precipitado para uma apoteose wagneriana, eis que, lá dentro (cá dentro)  surge a inevitável repetição, disfarçadamente e de mansinho... Então, junto-lhe as outras côres, que já sabemos que irão ser as mesmas. Porque, no fundo, e por muito desconjuntada, alterada, violada, lambida, mastigada e reciclada, sei que será sempre a mesma música. Aquela a que junto côres quando ninguém me vê. a que finjo não saber que é a mesma.


17
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 10:56link do post | comentar | ver comentários (3)

será uma cirurgia delicada, esta de tentar remover a bala que disparei contra o meu pé. ossos bem espalhados em migalhas, infecções purulentas que se podem formar de um minuto para o outro, tudo contra a corrida a que me predispus fazer. Coxeio até onde conseguir coxear e faço das fraquezas forças, mais uma vez. valerá a pena correr? quando chegar ao fim (ou cair para o lado), logo saberei. Agora, ainda o faço com mais força.


16
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 01:11link do post | comentar

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15
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 02:17link do post | comentar

há uma obrigação, mas das que vem de dentro, das que não conseguimos controlar. sinto-me bem por saber que, todos os dias, tenho um tema novo para ser tocado em concertos de uma pessoa só, apesar das mãos se multiplicarem pelo número de personagens que vivo (e não as vivemos todos?). força-me a despejar as coisas boas e coisas más para começar o compasso seguinte, a virar a página do caderno e a ver a próxima, novinha em folha, com tanto para ser escrito, com tanto para ser ouvido. sem arte nem engenho, com pressa e pouca ou nenhuma preocupação. talvez por isso sejam coisas "umbiguista", centradas na única coisa que vou levar desta vida. mas é que eu gosto tanto do meu umbigo...

 

(obrigadinho ao senhor das artes, soube bem)

 

PS: e o cabrão do Aguiar não consegue fazer uma porra de um discurso coerente à aldeia!!!! IRRA!!!!


14
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 03:52link do post | comentar

cansaço, de pálpebras pesadas e olhos vermelhos. pensamentos que soluçam para dentro do copo de uma qualquer bebida aqui à mão, mas ainda sem conseguirem atingir a razão. sinto que outra cabeça paira sobre a minha cabeça, esta última inchada, inflada de sangue que não repousa. e tudo isso desaparece, de um minuto para o outro. este torpor magnífico anestesia-me. devias ser real.


12
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 00:49link do post | comentar

mas assim, se os viveste, adormecido, terás vivido? ou pairaste sobre eles?ou terão sido vividos pelo tempo dos outros, tendo o teu tempo, a tua medida sido supensa como estátua de praceta? é que as estátuas, imóveis, vêm a vida a passar, quando os pombos lhes sujam a fronte, quando os bronzes enferrujam e espalham verdete pelo mármore.


10
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 01:58link do post | comentar

a viver pelo tempo presente, aguiar estaria pela hora da morte. mas no seu tempo, ainda agora tinha começado a viver, tinha depreendido que, o que ele tinha passado não seria igual para todos. seriam eles mais, logo mais fortes, mas o seu tempo era dele. todos os dias..

Não lhe pareceu justo que o miúdo a levasse assim pela mão e, pior, ela ir. e virar-se para trás, vendo que aguiar a observava. a cabra. ainda para mais ela, que parecia a única que o acompanhava no tempo alternativo, no viver que a vida da vila lhe consumiu mas, e sobretudo nesse, no viver que ele tinha criado com ela. o tempo não voltaria atrás, fosse o dela ou o dele.


09
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 02:34link do post | comentar

não to diria.

estas paredes, atrás das quais te escrevo, são vetustas muralhas, de rigor medieval

que atravessam velhos campos de batalhas, sangues e ódios, pulsões e desesperos

e não se destroem assim, de um momento para o outro.

 

(mas pedra a pedra, linha a linha, elas estão a cair e a culpa tem de ser de alguém. e é tão fácil que seja tua)


04
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 16:37link do post | comentar

Surpreendes-te por eu saber o que é o Método, mas não pratico o dito de dar o dito por não dito, de saber sem contar. Amanhã, ou hoje, cá te espero, o tempo que for preciso. Porque, conhecendo o Método, também me surpreendes. E deixar passar isso em branco, desorganiza-me as ideias.

Deixei de metodizar, como já não fazia desde que arrumei na prateleira organizada por sistema de cores, alfabeticamente sentida, a última magazin de planos falhados e actores frustrados de um filme que só acaba quando não estiver à espera.

Por isso, espero mais um dia, e Outro. Mas  preparo, sem pensar nisso, o plano de cena para amanhã.

 


02
Fev 10
publicado por A.Bruto, às 02:12link do post | comentar

hoje magooei um dedo, como já fiz muitas vezes. umas vezes é um vizinho ou outro deste dedo, mas hoje foi este dedo. este, aqui, estás a ver? não ofendo ninguém por ter um dedo magoado, pois não? é que me dói à brava e não o consigo mexer, fica para aqui espetado, estático e rígido. E tinha que ser mesmo hoje, quando me decidi a ser sociável.


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