Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
25
Ago 11
publicado por A.Bruto, às 15:41link do post | comentar

Enquanto suas excelencias, americanas, ruminam como americanos que são,

que podiam ser portugueses ou chineses,

ruminariam de igual forma 

sobre a burocrática hipótese de,

eventualmente,

considerarem

como exequível

a possível entrega

em mãos,

sujas,

de uma caixa do que podiam ser

bolos ou cartilagens,

armas ou vinho

embalo, por meio momento,na banda sonora perfeita para o meu acidente mortal, "i've read the news today, oh boy" pam e já está, chapa retorcida e corpo rasgado, a que sempre foi inútil massa cinzenta ensopada nos estofos baratos, sem direito às memórias como nos fimes porque essas coisas acontencem nos filmes para que nós nos iludamos com o Sentido Maior do que é posto na terra e inspirado e respirado milhões de vezes até o deixar de fazer, mesmo que o faças com muita vontade de fazer as coisas que queres fazer, muito boa que a banda sonora seja, és surdo no momento em que a vida é esta e só esta e nunca será filme ou história digna de conto, ou nota de rodapé de pacote de açúcar, o corpo, rebentado como exoesqueleto de insecto pressionado entre o polegar e o indicador, se solta como 4 pianos em uníssono numa grave nota, soada até à asfixia

ruminaram e decidiram

os burocratas do lucro

que me permite respirar mais um dia

enquanto embalo, por meios momentos,

na minha morte.

 

conduzo e o disco acaba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


10
Ago 11
publicado por A.Bruto, às 10:32link do post | comentar

navegas na tua vontade

de acreditar que tens razão

e de que sou como tu

queres acreditar que sou

esqueces-te que a tua

razão

é só tua

e está tão certa

quanto a força com que

convences o mundo

de que está certa

 

pergunta-me mais coisas

e estende mais rasteiras

(respondo-te como

responderia

a quem me quer bem)

adapta, corta e

tenta convencer-te

de que o que fazes

está certo

quando sabes que

a tua vida é inútil

como tu

 

talvez a memória

não seja tão fraca

como pensas

e talvez

as proporções

não sejam as desejadas.

Habitua-te a ela,

seja a puta da vida

ou a vida de puta

 

Invejo-te a persistencia

e o olhar vazio

com que trespassas

quem nunca acreditou

em ti

 


04
Ago 11
publicado por A.Bruto, às 15:48link do post | comentar

chega

 


publicado por A.Bruto, às 14:51link do post | comentar

pálpebras pesadas

a meio do dia

pela lei da gravidade

já trabalhadas, egoísticamente,

alías, defeito de antanho,

como tudo o que me gere,

tudo o que me rodeia

e o que

é meu

meu meu

eu

eu

eu

eu

 

essas foram um dia levantadas,

foi um arcar de sobrolho apenas,

o suficiente para espreitar

o que vinha lá

e me sorria com tanta força

sem, desta vez, se rir de mim,

talvez tivesse sido o suficiente

para despertar

como se fosses

tempestade tropical

ou mesmo um vento fresco

que, naquele dia, me levantou

e rodopiou no ar, sem

bater com os pés no chão

e eu subi

e eu

e eu e eu

agarrei-me a ti

pensei que eu

não pudesse ser só

eu,

e juntos,

contraciclo

e tensão corrente,

saíssemos a

correr e voltar a

parar

respirar

olhar, de olhos bem abertos,

o vento que se tornou

parede à minha volta.

 

Agora, sem poder tropeçar

nem descansar

corro todo os dias

o teu ar fresco, que me acordou,

mantém desperto

cerca-me, revoluto,

enquanto corro, todos os dias

no olho do furacão.

 

 


02
Ago 11
publicado por A.Bruto, às 14:46link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

sei que não sou zero por muito pouco,

e que pelas matemáticas pessoais dos afectos

divididos em fornecedores, 

colaboradores e consumidores,

faço parte destes últimos

(e dos outros todos também)

 

sem estornos nem estorvos

sem dádivas nem recibos

desconto o pesar imposto

(sempre a contra-gosto) à tua  

conta corrente viciada

 

fossem economizadas

as lágrimas que

rebentam as escalas

fossem feitas contas

de cabeças levianas

ou, sobretudo, humanas

fosse poupado o esforço

de debater o preço a pagar

para manter esta

empresa do viver

fossem evitados os erros

de querer crescer sem

saber gerir

o que se tem

fosse tudo isso feito,

(e seria pouco)

e esta crise,

de boca cheia crise,

seria passageira

e eterno seria o lucro,

teu, meu, nosso.

 

 

nunca a matemática

foi tão certa

como no dia em que fizemos

contas de cabeça

e,

noves fora nada,

nesse dia

todas as aritméticas

resultavam num um mais um

que era sempre igual

a um e ao outro

 

 

 

 


publicado por A.Bruto, às 14:38link do post | comentar

Quando te escrevemos,

sempre em quarta pessoa,

não será porque sejamos mais do que

um

mas porque o um

nunca se sente tão

sozinho

como quando te

escrevemos.

 

 

 

 

 


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