Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
20
Fev 12
publicado por A.Bruto, às 12:26link do post | comentar

Entupimento. 

respiração off

gant.

sobram dores dobradiças.

Escarros e escaras.

peito preso preso peito

preito peso peso preito

 

é o que faz a medicação em conformidade,

tanto para isto como para aquilo.

 

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publicado por A.Bruto, às 12:16link do post | comentar

Hoje a rádio ajuda

O miúdo abandona aos poucos a razão e estala compassadamente os dedos enquanto o velho Dean Martin canta sobre miúdas de azul.

erguemos o copo e emborquemo-los de uma só vez em honra do velho crooner

de que vale ter ídolos se não lhes fizermos um brinde de vez em quando?

Lança-se no ar agora uma versão do My Funny valentine sem nos levantarmos da cadeira.

Na esplanada, uma mulher também escreve. Nunca a vi por aqui nem a vejo hoje, os chapéus de sol fechados intrometem-se no meu campo de visão - vejo-lhe as pernas e os braços a debitar para um caderno igual ao meu. Talvez esteja a descrever-me como eu tento fazer. Ou esteja só à procura de uma razão para estar ali. tal como eu.

Cantamos para dentro enquanto o cigarro chega ao fim - está demasiado frio para enrolar outro, apesar de ter no bolso um maço dos outros, enrolados em máquinas infernais de fumo e enxofre.

A moça fala agora ao telefone e diz que tem as mãos geladas "devia ter trazido as luvas, amor"

O amor, pelos vistos, concorda e roga para o seu regresso. Todo o amor regressa quando tem frio.

 

 


publicado por A.Bruto, às 12:03link do post | comentar

O simpático trio do iludido e as duas miúdas lá foram fumar o charro às escondidas,

mesmo no meio da clareira do parque.

(Há dias em que, fora da esplanada, na varanda de casa, os vejo em ginásticas normais e tendas humanas

tentando evitar que o vento lhes sopre o resto do entorpecimento para o chão)

 

As mulheres bonitas (pelo menos uma delas já sei que o é)

estão atrás de mim a estudar, ou a ler

ou hoje sou eu a ser observado

figura (ridícula) de preto,

com as sapatilhas da moda

e as mãos geladas que debitam gatafunhos que só eu entenderei.

Dessa forma, ninguém perceberá as paranóisas e descrições,

ficando mascaradas de textos indecifráveis

que, depois em casa, eu tento perceber -

como se fosse um autor com substancia e não fosse também um iludido.

(mas que nunca gastaria duzentos paus em uisqui com duas fedorentas)


publicado por A.Bruto, às 11:58link do post | comentar

A outra mesa está ocupada atrás de mim, não as vendo, oiço-as.

A certa altura, uma levanta-se e vai ao balcão,

lembrando-me de que gosto de mulheres que, mesmo no inverno, sabem que são boas e não têm medo de o mostrar,

mesmo que os mamilos estejam sempre espetados com o frio.

Para meu alívio, ao vê-la assim, a pele esticou e o sangue afluiu para a extremidade correcta.

 


publicado por A.Bruto, às 11:47link do post | comentar

Tudo normal, como dantes,

Duas mesas ocupadas na esplanada que de agradável tem o facto de ser a 13 passos da porta de casa,

mas que não disfarça o frio que se faz sentir.

Ouvimos a rádio mal sintonizada, comercial, catadupa de temas vazios de qualidade musical.

Será mais interessante ouvir as conversas das mesas ao lado

o miúdo a  querer impressionar as miúdas que o acompanham embevecidas,

ouvem (ouvimos todos) como o rapazola gastou duzentos e sessenta paus

em uisqui velho, só porque o Nelinho chamou as gajas mesmo fedorentas lá para a mesa deles

naquela noite.

Com esta conversa, o pau dele cresceu um centímetro

e as miúdas só pensam na quantidade de dinheiro que

as fedorentas ganharam com um iludido.

 

 


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