olho em volta e todos vêem o mesmo que eu,
dentro dum pensamento que se mastiga e me corrói
repetido em filme surdo mudo e manco
sem direito a legenda ou explicação,
estático em evolução ou argumento,
apenas com um desconforto
como introdução.
Ampliando-se em vórtice
neste aleatório momento preciso,
rasga, a pouco e pouco, o tendão
do grego que nos lembra
das fraquezas humanas
e em proporções divinais,
multiplica a sede que me afoga,
esperneando por demorar tanto tempo
a tomar o seu devido lugar
A estátua desfaz-se enquanto
a orquestra desafina.
Assim, atinjo a perfeição
sem nunca ter existido.