sei que não sou zero por muito pouco,
e que pelas matemáticas pessoais dos afectos
divididos em fornecedores,
colaboradores e consumidores,
faço parte destes últimos
(e dos outros todos também)
sem estornos nem estorvos
sem dádivas nem recibos
desconto o pesar imposto
(sempre a contra-gosto) à tua
conta corrente viciada
fossem economizadas
as lágrimas que
rebentam as escalas
fossem feitas contas
de cabeças levianas
ou, sobretudo, humanas
fosse poupado o esforço
de debater o preço a pagar
para manter esta
empresa do viver
fossem evitados os erros
de querer crescer sem
saber gerir
o que se tem
fosse tudo isso feito,
(e seria pouco)
e esta crise,
de boca cheia crise,
seria passageira
e eterno seria o lucro,
teu, meu, nosso.
nunca a matemática
foi tão certa
como no dia em que fizemos
contas de cabeça
e,
noves fora nada,
nesse dia
todas as aritméticas
resultavam num um mais um
que era sempre igual
a um e ao outro