Entre os dias amorfos e os solarengos desejos
O negrume solitário e a efusiva alegria
De eternas ocasionais companhias
Respirei fundo e enrolei mais um cigarro
Às árvores da praça, tortas e verdejantes
desejei-lhes uma boa vida
enquanto um cão vadio as reclamava como suas
Matei a sede e inspirei o fumo do cigarro
Pedi a conta e não paguei
Levei-me a casa da esplanada do café
a ausência do vento castigava-me os olhos
Enquanto pensava no dia seguinte,
sem ter saido sequer de anteontem.
Entre as virtudes e os desejos
E as urgências sussurradas ao ouvido
Respirei fundo e enrolei outro cigarro
O cão vadio, agora alegre proprietário
de depósitos inertes de ácido úrico
Intimidou-me com o seu olhar triste
Afinal, o meu mundo era dele
E só nós o sabíamos