Escrita de Pressão. Também em Jorros de Litro.
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Jul 09
publicado por A.Bruto, às 22:29link do post | comentar

Quando fiz a mudança? Quando foi aquele momento? Será que houve sequer, um momento? Ou terá sido a sequência de tempos, uns mais seguidos do que os outros e que, por acaso, foram vividos pela mesma física pessoa?
Não se pode pensar uma mudança. Posso pensar em fazê-la, sonhá-la, imaginá-la, desejá-la. Mas só acontece quando é feita, de facto. E acontece, de um momento para o outro. Como ela me disse, com voz de mulher séria e a menina dentro dela, chutar o balde. Ri-me. Tirar o apoio, sentir o pé a fugir, saber que dependes de ti e da tua força. Da tua vontade. Saber o que é importante e o que é irrelevante. Partir a cana do nariz ao descobrir.

"It’s all about the journey". O destino é secundário e garantido. Se lá chegares, e de certeza que vais lá chegar, tanto melhor. Mas não te vais sentir satisfeito no “objectivo cumprido”. Será sempre no caminho até lá. Espero eu.
O que realmente me fode são as expectativas. Desde que me passaram, inconscientemente, penso eu, fasquias, limites, metas. Nunca me perguntaram se eu os queria, de facto, passar. Esses objectivos. Será que alguma vez pensei de facto nos meus objectivos. Bem dito, será que alguma vez os tive? Os clássicos, acho que não. White picket fence, feliciddae através de um meio digno, acomodado, aconchegado, mesmo que seja esforçado. Esforçar pelo objectivo de outrem. Fodam-se. Não é isso que quero, pois não? Ou será que me fartei (só) de viver bem, sem saber que o estou a fazer?

Já não seria a primeira vez. Mulheres. E a mulher. A tal das tais, pela qual alterei parte da minha vida e abdiquei de coisas que não eram (descobri mais tarde, talvez demasiado? acho que não.) tão importantes. Futilidades. Forçadas amizades fúteis. É tudo a mesma coisa.

Mas a mudança é inevitável. Urge. Sanidade depende disso. Não estou para me tornar naquilo que sou hoje, mas elevado à potência da estagnação. Do paúl ao deserto, basta a minha inacção. E essa acompanha-me nervosamente, mesmo ao lado das expectativas dos outros, elevadas até à minha surdez. Não sou nem nunca serei aquilo que esperam de mim. E ainda bem. Serei aquilo que irei ser, melhor. Nos meus termos, nas minhas condições que, até são bem simples. Assim que as descobrir, claro.

Vamos. Um dia destes. Deixa-me hoje, na ressaca do acontecimento, no fim de um livro (o indicado, sem saber que assim o era), pensar no que seria ser o que realmente sou. Como fui contigo, sem saber que me revia naquilo que tinhas feito.
Ou de que precisava de uma desculpa para o fazer. Como sempre. Aliás, será possível agir por impulso. Hoje ia agindo, batia com a porta. Mais uma vez, ouvi que as expectativas que os outros (e desta vez, os outros têm uma letra minúscula, escrita assim, outros) tinham sobre mim, tinham sido frustradas. Uma parte de mim sentiu-se feliz (ia escrever "estranhamente feliz" mas não tenho necessidade de me mentir). Estaria absoluta e totalmente a cagar para as expectativas que têm em mim, logo só tenho que me sentir bem comigo. Não respeito os outros o suficiente para que me exijam ser aquilo que não sou – benvindo ao mundo real, dirão os que me conhecem ou que já cá andam nisto há mais tempo que eu. Alguns até o dirão cinicamente, invejosos do que tenho. Eles que não se esqueçam que o que tenho não me foi dado, foi suado e conquistado contra o pior dos meus inimigo, talvez até o único, que sou eu próprio.

Sim, senti-me bem por ouvir que não estava a cumprir o objectivo de me tornar carneiro no rebanho para a tosquia. E daí até ao objectivo final (o deles) vai um passo.
Ignorantes, burros.

Essas expectativas subiram-me à cabeça, não as soube interpretar como aquilo que de facto são, incentivos?

O valor que hoje me reconhecem será parte daquilo que ainda poderei vir a ser?

Não sei.

Mas tenho de o descobrir. E tem de ser já. Agora. Seja como for. Sei que vai ser impulsivo.

Como tudo aquilo que já me fez mudar. Para o bem e para o mal.


Gosto de te ler...
uma das "tais" a 10 de Julho de 2009 às 00:29

não sei porquê...mas ao ler isto, lembrei-me disto:
"(...)Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes , a todos a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência(...)"

Lá está, o ser humano a qualquer momento da sua vida, tem que dar um grito de "Ipiranga", senão é engolido vivo. Tu estás a dar o teu...e eu..well..estou à espera do momento oportuno.
raiodokarma a 13 de Julho de 2009 às 13:18

o Fernandinho (ou o álvarinho) é que a sabia toda. por isso é que morreu sozinho e drógado.
Quanto ao grito, ainda não foi dado mas já está estipulado. Aconselho-te a fazeres o mesmo (mas não o faças como eu, acho que não és suficientemente inconsciente para fazer isso...)
Obrigado pelo comentário :D
A.Bruto a 13 de Julho de 2009 às 19:57

Eh meu querido,
Aprendi que quando temos que fazer uma mudanca na vida, nao podemos pensar...
Quando pensamos, emburrecemos, estremecemos, amedontramos... O desconhecido eh arrepilante...
Mas a adrenalina eh muuuuuito boa!!!!!!!!!!
Ja dizia meu pai, faz sem pensar, se pensar nao ira nunca fazer...
Eu consegui ter esse gostinho, e te digo amigo, eh muuuuuuito bom!!!!!
Melhor seria se durasse para sempre...
Mas sempre temos uma segunda chance...

Nao desista!!!!!!
Va, faca, aconteca, e foda-se o que os outros vao pensar....
Vamos ser aquilo que queremos ser, nem que seja nada!!!!!!!

E vc sabe que vc sempre tera tua eterna amiga do teu lado...

Te amo!!!!!!!!!!!!

Elizasga a 16 de Julho de 2009 às 20:58

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